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Por que ainda nos sentimos tão infelizes?

Hoje li um texto da maravilhosa Lucy Kellaway (colunista da Financial Time e da Folha) que o título dizia mais ou menos assim: Se os empregos melhoraram, por que ainda nos sentimos tão infelizes?

É um texto obrigatório (como quase todos da autora) para quem tem acordado nos últimos meses pensando e contando os segundos para a sexta-feira.

Lucy começa com um desafio, no mínimo, excitante: o que será que o Google sugere quando você escreve “meu chefe é”? A resposta, claro, é hilária. Mas, será que esse é exatamente o problema?

A autora devaneia por diversos argumentos comuns do meio para decifrar esse tema, como ambiente de trabalho, flexibilidade x rigidez, metas sobre-humanas etc. Até que ela para e conclui que, na verdade, a causa é um argumento bem contraditório: a busca excessiva das empresas pela felicidade/engajamento dos seus funcionários. Isso mesmo: das empresas…

 

Será mesmo, Lucy?

 

Sim, somos trabalhadores mais “mimados” do que as antigas gerações. Sim, somos trabalhadores mais “apressados” do que as antigas gerações. E sim, somos trabalhadores menos “respeitosos” com as formas que foram construídas os processos, as estruturas, as operações, etc.

Mas, até que ponto isso é a causa e não a consequência? As empresas mudaram por que as pessoas mudaram ou as pessoas mudaram por que as empresas mudaram?

Uma outra provocação: ouço pessoas afirmarem que o mundo de hoje é mais violento do que as antigas gerações. Será mesmo? Ou será que as notícias estão mais frequentes e muito mais bem divulgadas/investigadas?

Daniel Kahneman, autor do best-seller Rápido e Devagar, psicólogo e Nobel de Economia, apresentou ao mundo uma teoria chamada Heurística da Disponibilidade.

Em resumo, Daniel afirma que as pessoas, de forma geral, julgam a frequência ou a probabilidade de um evento pela facilidade com que exemplos ocorrem em suas mentes. Em outras palavras, quanto mais se lê, assiste e conversa sobre algo, mais fácil esse algo irá aparecer em sua mente.

Leitor, você prefere viajar de Táxi ou Uber? Prefere o ambiente das empresas dos anos 80 ou o ambiente de trabalho do Google (ícone da nova geração)?

Reflita bem sobre sua resposta, pergunte a seus amigos e parentes (garanto que irá se surpreender) e ajude Lucy, eu e a todos os que se interessam pelo tema a responder essa difícil pergunta: se os empregos melhoraram, por que ainda nos sentimos infelizes? Infelizmente, no Google, não iremos achar.

 

Um pouco mais sobre Heurística da Disponibilidade e a Influência da Mídia:

http://livros01.livrosgratis.com.br/cp055357.pdf

Leia o texto de Lucy (em inglês):

http://www.irishtimes.com/business/work/lucy-kellaway-why-is-work-making-us-miserable-1.2946601?localLinksEnabled=false

 

 

"Alguém cuja curiosidade insaciável trabalha duro para atingir um viés criador"

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